ANGOR: do latim, agonia -Q

by T, for M.

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A luz solar tocou-me o rosto e queimou-me as palpebras. Uma leve vertigem quase me derrubou no que esforcei a levantar a cabeça. Tombei a mesma, fechei os olhos, já não conseguia mantê-los tão abertos com aquela luz natural machucando-os. Ouvi passos finos e delicados no assoalho. Quando volteava perto de mim, o ritmo diminuia, parecia tomar cuidado pra não me incomodar. Ela deixou a cama. Puxou de vez ambos os lados daquelas cortinas simples e finas, fazendo-me franzir a testa com o barulho dos trilhos que certamente me acordou. Aquela luz estava me matando. Grunhi em reprovação. Aquele corpo em movimento voltou a repousar ao lado esquerdo da cama. Buscou minha pele, tocando-me levemente de maneira que não eu não percebesse, mas eu tinha percebido.

Senti-a fungar na curva de meu pescoço.

"Amor...?" chamou-me de um nome que não era meu: Amor.

Me virei, dando-lhe as costas. Os lençóis eram impreguinados com o doce cheiro dela. Eu o aspirava como podia, respirando fundo com o rosto enterrado nos travesseiros que ela deitara a cabeça.

"Eu sei que você você está acordada" ela insistiu, com aquela mão gelada tocando minhas costas a mostra e me arrepiando. "Não vai dizer nada?"

"Tá muito cedo" resmunguei, como sempre, e aquilo parecia nunca calejar seus ouvidos.

Num instante em que suas mãos me encontraram, no outro, suas pernas envolveram meus quadris. Tentei me virar para recebê-la e então as fisgadas em meu peito me fizeram franzir a testa novamente. Quando seus olhos captaram minha expressão e seus ouvidos atentaram a ouvir aquele meu tipico gemido, ela preparou as mãos.

"O que foi?" ao que falava, eu fechava minhas mãos, tentando conter as dores. No entanto, as suas procuravam com uma certa urgência minha dor em meu tronco despido. "Doi?"

"Muito". Mordi os lábios esperando que ela encontrasse depressa, eu não conseguia  mais conter aquelas pontadas. Uma fina lágrima surgiu no canto de meus olhos. Aquela dor, aquela agonia. Ela havia dito que eu precisava tratar aquilo imediatamente. Havia me dito muitas vezes, sempre com aquela calma; mas talvez por teimosia ou medo, nunca fui. Porque meu tratamento era suas mãos, e isso me bastava. Fechei os olhos ansiando.

"Aqui?" por fim, ela havia encontrado minha dor. A mão direita me tocava sem pudor e a mão esquerda se ajustava perfeitamente entre meus seios -onde doia. "Quando é que você vai tratar isso?"

Pendi a cabeça, deixando suas mãos trabalharem, esqueci as minhas nos travesseiros, deixando-as na altura de minha cabeça. Senti um alivio quase imediato. A dor diminuia aos poucos assim como eu fui relaxando e tomando o sono de volta. Meus olhos ficaram entreabertos, observando cada movimento mácio em meu peito.

"Você é o meu rémedio" eu poderia ficar ali por um bom tempo, sentindo suas mãos esquentarem aos poucos.

"Mas não é o suficiente, você precisa cuidar disso, comer direito, se esforçar menos..." a mão direita, marota, continuava a me tocar com desejo, eu sentia. "Eu não sei se você ainda estaria viva sem sua irmã (-qqq) pra cuidar de você".

"Realmente, eu não seria nada sem você" a partir daquele momento, comecei a buscar pelos seus olhos ternos. Precisava de seus olhos. Eu não me importava com mais nada, nem com aquela dor, tudo que eu queria naquele momento era os teus olhos.

"Está melhorando?" Ela me perguntava daquele jeito, sem nunca perder a calma. E eu era eternamente grata por isso. A mão esquerda que volteava em meu peito, astuta e jeitosa, aliviava a dor. Eu não sentia vergonha de deixar meus seios a mostra pra ela. Era minha irmã mais nova, não tinha do que me envergonhar.

Eu acenti com a cabeça. Ela sabia que sim. Aspirei seu cheiro nos travesseiros, eu não me cansava daquilo. De repente, ambas as mãos abandonaram meu corpo, buscando então, as minhas, acima da cabeça. No encontro, ela entralaçou os próprios dedos nos meus, mantendo-as onde estavam no incio.

"Posso?" Um sorriso malicioso e ao mesmo tempo cheio de ternura surgiu em seus lábios em meio ao pedido. Eu não podia negar. Na verdade, nunca lhe neguei ou negaria nada nessa vida. Ela insinuou um beijo, talvez; pensei comigo.

Em resposta, mordi meus lábios ansiando o que ela poderia fazer. Cada míudo sorriso que surgia nos seus lábios, eu tinha ainda mais receio de fazer aquilo. Por alguns minutos eu ainda conseguia resisti-la, quando tinhamos algum contato mais intimo. Mas passei a me entregar quando resistir ao desejo não fazia nenhum sentido.

Minhas mãos suaram em contato com as suas. Senti seus cabelos cobrirem meu peito, e devagar, seus lábios encostaram no mesmo. Um arrepio tomou-me por completo. Era como uma senssação inexplicável. Seus lábios continuaram a explorar aquela região com uma certa doçura. E aquilo me encantava e atiçava meu desejo ainda mais; isso ficava tão aparente em mim. Suas pernas se fechavam, precionando meus quadris num vagar provocativo e quase desajeitado. Eu gemi seu nome, não consegui me conter.

Suas mãos não largavam as minhas, fiquei timida mesmo quando sua boca -sua doce boca- alcançou meus mamilos totalmente rigidos de excitação. Aquele contato sensual só fez enrijecê-los um pouco mais. Naquele momento, ansiei pela sua boca,  a boca de minha irmã mais nova, não queria nenhum outro gesto a não ser seus lábios nos meus.

Mas sua boca se perdia a todo instante em minhas curvas, nunca buscando a minha. Aquilo realmente me tirava do sério, e quando eu voltava, quase que automaticamente me repreendia mentalmente por desejar tanto minha própria irmã. E eu, sendo a mais velha, não deveria nunca ter deixado aquilo acontecer. Ela interpretava minha culpa na cama, do jeito mais doce possivel, e só então eu sentia que não seriamos condenadas por tal pecado. "Amar desse jeito não é pecado, amor" era o que ela sempre dizia pra aliviar o peso em minha conciência. Mas eu a perdia quando ela me tocava tão intimamente.

"Não..." levantei meu tronco de vez, fiz com ela parasse aquela trilha de saliva que deixava em meu abdomen, eu precisava de seus lábios nos meus imediatamente. Quando ela me encarou, mesmo sem a intenção, me provocou pelo simples fato de me olhar. Por mais que eu desejasse  eu comecei a me repreender novamente, nós estavamos fazendo de novo. A fio, custei a me abster daquele "mal". O "mal" de amá-la daquele jeito. Apoei todo meu peso nas palmas de minhas mãos, enquanto ela se sentava em meu colo e contiuava a me olhar.

"Por quê não?" ela sabia porque não podiamos. Beijou o maxilar, mordeu-me o lobulo da orelha, e esperou pela minha justificativa.

"Você sabe... você é minha irmã mais nova e..." Enquanto ela se inclinava sobre mim, minhas palavras falhavam, seus lábios e lingua continuavam a passear em meu rosto. Involuntariamente minhas mãos foram de encontro aos botões de sua camisa. Meu Deus, eu não deveria, mas desejei abrir cada botão.  

"E?"

Lembro-me que na noite passada trajava a camisa que agora ela vestia. Noite passada, quem havia aberto cada botão tinha sido ela. Pecamos na noite passada.  

"Não podemos, isso é errado." Custei a afastar as mãos daqueles botões, se eu as mantesse ali, quem desabotoaria aquela camisa seria eu. Uma resistência quase forçada me fez parar. Ela tinha parado também, e com uma expressão séria na face, me penetrou com os olhos.

"Tem certeza mesmo que não podemos? Você já fez isso antes, e eu sei que você gostou. Você vai deixar um detalhe te fazer parar?" ela encostou a mão em meu peito, agora aliviado, novamente. "Antes de me responder, eu posso te pedir uma coisa?" aqueles olhos, antes ternos, agora sérios me domavam.

"Qualquer coisa" meus olhos nos dela. Aqueles olhos cor de chocolate. Talvez fosse por isso que eles eram tão doces (?)

Ela tomou minhas mãos, levou ao próprio peito, novamente meus dedos se esbarraram naqueles botões. Por mais que minha moral dissesse NÃO, meu amor dizia SIM.

"Não faça amor comigo me olhando e me tocando como se eu fosse sua irmã mais nova, e sim sua parceira, como você fez com as outras mulheres. Se você me ama tanto assim como você diz, tente." a cada palavra, ela apertava minhas mãos contra seu peito, e eu sentia seu coração bater com paixão.

Eu estava tão apaixonada pela minha própria irmã, e talvez pra ela fosse fácil interpretar esse detalhe de outra forma.

"Não me peça uma coisa dessas, por favor..." lhe implorei, tentei conter o desejo que, internamente, gritava SIM.

"Você nunca me negou nada, e prometeu nunca negar. Você não pode quebrar uma promessa assim." se virou, sentando-se entre minhas pernas, trazendo os joelhos pra perto do peito, passou os braços envolta de suas próprias pernas e então apoiou a cabeça ali. "Você não decepcionaria sua irmã mais nova, decepcionaria?"

Engoli a seco, nunca tinha ensaiado uma reação ante aquela condição. Com as outras mulheres havia sido diferente, talvez eu nunca tivesse de fato amado qualquer delas. Talvez. Mas amar minha própria irmã na cama era algo complexo. Do mais simples beijo a um contato mais intimo, era muito pra mim. Quase que automaticamente, analisei seu pedido. Havia uma consequêcia para o SIM e para o NÃO, mas talvez em ambas as respostas, eu não estaria perdendo nada. Pensei mil vezes naqueles minutos em que ela mantinha aquele comôdo silêncio naquela posição fetal entre minhas pernas. Talvez as cores de sua camisa tivessem atraido meus olhos, e como se eu tivesse decido de vez, levei uma mão em sua direção. Deslizei por suas costas; não conti minha outra mão em seu corpo, me movimentei as suas costas.

"Não" depois de um certo tempo sussurrei em sua orelha, sentindo-a se desfazer daquela posição. Lhe acariciei as pernas e as coxas, tracei as linhas de seus quadris. Todos os toques nos traziam desejos à tona. Meus braços por fim, elvolveram sua cintura e suas mãos encontraram minhas pernas envolta de si. "Não posso te decepcionar..." minha voz cada vez mais baixa e falha lhe respondia, por conta de meus lábios encostarem em sua nuca. Enfiei meu rosto em seus cabelos, que tinham cheiro de castanha. "Eu ...eu não posso te decpcionar."

Senti-a pender a cabeça, encostando a mesma em meu ombro, meu coração batia em intervalos inrregulares dentro de minha caixa toráxica, ela estava tomando minha respiração de alguma forma. Com movimentos jeitosos, trouxe suas costas ao meu corpo. Minhas mãos se esbarraram naqueles botões. Então ocupei-me em abrir um a um, lhe beijando o rosto.

"Eu te amo tanto." Ela disse, e eu a ouvi atentamente. Mas toda vez que as palavras eram ditas, era como seu eu estivesse descobrindo o fato naquele momento, me fazendo sentir tão especial e amada, do jeito que as outras mulheres com as quais me deitei não me fizeram sentir.

Seu ofegar era tão gostoso de se ouvir, não faltava mais do que dois botões, meus lábios colaram novamente em sua nuca, e assim que termei, minhas mãos escorregaram com avidez dentro de sua camisa.

"Eu... eu te amo tanto também..." entre cada beijo, tinha cada palavra. Minhas mãos estavam fora do controle, eu estava quente, e ela, tão cheia de desejo, ainda se mantinha naquele patamar de calma que nunca parecia descer. Massageei seus seios, tão mácios e pequenos. Tão delicados e bonitos dentro da palma de minhas mãos rudes e desesperadas. "Eu queria que..."

"Não!" Ela me cortou. Buscou uma de minhas mãos e a domou, levando-a pra dentro de sua peça intima. Pareceu sorrir ou morder os lábios, não sei. "Agora não."

Eu entendi o ato e acenti com o silêncio. Entendi seu pedido mudo, e aquilo me excitava tanto, a ponto de me deixar corada. E quanto mais ela me permitia ir fundo naquilo, mais eu tinha certeza que ela me amava. Passei a esquecer da culpa  por aquele momento. Apenas aquele pecado me fazia feliz, mas se eu tivesse conhecido outra pessoa. Me apaixonado por alguém que não tivesse meu sangue fluindo nas veias.

Meu dedo indicador lhe explorava com cuidado, nunca perdido, mas certo de onde queria chegar. Ela estava tão úmida que ele escorregava com facilidade em cada parte. Era como se eu a conhecesse tão bem quanto meu próprio corpo. Por instantes a fio, conti todo o desejo e tentei conter o desastre de minha mão, lhe acariciei com calma com dois dedos.

Ela gemia meu nome enquanto cobria minha mão e a precionava contra o próprio membro. Meu corpo lhe transferia calor quando se chocava ainda mais com suas costas. Meus dedos estavam tão lambuzados daquele seu liquido, eu não me importava, eu capturava cada gota e sentia prazer em lhe dar prazer.

"..." chamei seu nome ou chamei-lhe de amor. Talvez seu nome fosse mesmo amor. Me senti ofegante, assim como pude sentir seus pulmões se encherem de ar em rápidos intervalos. Sua mão apertava a minha quando os movimentos da mesma ficavam ritimados. Eu não queria fazer aquilo tão rápido, tentei prolongar o máximo possivel, não queria que chegasse aquele ponto tão depressa. E sua mão sobre a minha só fez aquele momento ser nosso, e não só meu ou seu.

Lhe penetrei o dedo anelar cuidadosamente, e ela arqueou as costas em meu peito. Senti meu corpo esquentar ainda mais e suar. Tentei empurrar um pouco mais o dedo e um gemido dela tomou o quarto. Eu provavelmente tinha tocado alguma parte sensivel de seu órgão. Enquanto sua vagina se contraia envolta de meu anelar, eu sentia um pouco de culpa. Não queria lhe provocar dor alguma, não era minha intenção. Eu nunca machucaria minha irmã em nenhum sentido.

"Desculpa" eu pedi, sentido uma formigação particular nas solas dos pés. Aquilo era comum, aquela senssação em meus pés. Aos poucos, tirei o dedo, sentindo-o totalmente melado. Sua mão se desfez da minha, e então isolei a mesma. Lhe beijei o maxilar, e então encostei o rosto na curva de seu pescoço. "Foi sem querer."

Meu palpite era que ela não podia aguentar mais. Lhe dei o suficiente, e se ela me pedisse por mais, certamente, naquele momento daria. Prometi nunca lhe negar nada. Novamente, meus braços criaram um circulo envolta dela, se fechando.

"Foi bom, sabe?" lentamente ela se deitava dentro de meu abraço. "Foi diferente... Você não está se culpando por isso, está?" suas mãos pousavam em meus braços, e aquela luz solar não me incomodava tanto quanto antes. Eu já estava tão desperta...

"Acho que não" sorri e então mordi sua bochecha. Tudo nela era tão meigo. Dos olhos ternos até as caricias mais marotas. E por mais que eu fosse uma pessoa social, ela me deixava timida, e me fazia ter orgasmos involuntários mesmo sem a fricção de sua mão ou lingua em meu órgão. Contudo, de algum modo, todo amor e afeto que ela tinha por minha pessoa me guiavam ao sentimento de segurança, proeza que ninguém conseguia.

"E você sempre fez isso com todas as mulheres?" Ela sussurrou na mínima distância entre sua boca e a minha, enquanto respirava o oxigênio que compartilhavámos.

"Não." Minhas mãos deslizavam com calma dentro de sua camisa, naquele momento, tive outro daqueles orgasmos involutários, umas fisgadas suaves entre minhas pernas, a dormencia nas solas de meus pés diminuiam quando eu os mexia, fechando as pernas em volta dela. "Não mesmo. A única que eu quero fazer feliz nesse momento é você."

"Confesso que às vezes sinto ciumes..."

"Sem necessidade alguma. Você sabe que é a única pra mim, e é minha irmãzinha." Sorri de soslaio. Naquele instante senti que suportaria toda culpa e vergonha, eu pagaria pelo nosso ato pecaminoso se precisasse, tudo para  ouvir aquele ofegar, sentir aquelas mãos aliviando as dores em meu peito, aspirar o cheiro de castanhas em seu cabelo...

Senti o peito pesar outra vez, aquela agonia viria novamente. Fiz cara feia e grunhi. Ela ouviu, como sempre, estava atenta. Por um instante me senti feliz, por saber que aquelas mãos finas e tão perfeitas me tratariam novamente. Eu era grata, muito grata por sua exitência. Eu sabia que se eu morresse, ela me daria os melhores últimos momentos de minha vida, carregaria uma vergonha, e então me daria um beijo de adeus eterno. E eu ali fiquei pensando: quem cuidaria dela depois de tudo? Como ficaria sem mim? Aquele não era o momento para planejar um futuro quase incerto, ansiei por suas mãos novamente, como sempre fiz e me calei.   

Eu sentiria aquela dor, até a Angor me matar.


FIM.

19-05-09

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